Beato Gonçalo de Lagos

O Beato Gonçalo nasceu em Lagos, no ano de 1360. Segundo a tradição, terá nascido numa casa situada junto das Portas do Mar, precisamente no local onde ainda hoje se encontra o seu nicho e imagem (Ponto 3 do Passeio).

Tomou o sobrenome de Lagos, por ser esse o costume da época entre os frades e entrou no Convento dos “gracianos”, nome vulgarmente dado, naquele tempo, aos frades da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho que viviam no Convento de Nossa Senhora da Graça, em Lisboa. Pensa-se que teria entre 20 ou 21 anos nessa altura.

Fez estudos universitários (“Estudos Gerais”), os quais terá concluído de forma tão brilhante que terá sido convidado para se formar em doutor de Teologia e integrar-se no corpo docente. Os seus conceituados livros, os seus primorosos trabalhos de iluminura e as suas inspiradas composições musicais são a confirmação das suas qualidades intelectuais e artísticas, que se refletiriam sempre nas suas grandes vocações: a catequese e a pregação, sendo muitos os que se juntavam para o escutar e beneficiavam da sua generosidade e esmola.

Ordenou-se sacerdote e cinco anos depois seria já Prior na Lourinhã, seguindo-se Lisboa, Santarém e Torres Vedras.

Diz-se que sempre foi grande amigo dos pescadores, sobretudo os da sua região de nascimento, o Algarve, sendo-lhe atribuídos milagres, entre os quais o que relata Frei António da Purificação (In P. Hipólito Martínez, OSA, in São Gonçalo de Lagos, Editorial A.O., 27.10.2008, Secretariado Nacional da Pastoral Nacional):

«No ano de 1437, que são 15 depois da sua morte gloriosa, aconteceu que certos homens do Reino do Algarve, naturais de Lagos, pátria do mesmo Santo, se embarcaram para Lisboa em uma caravela, entre os quais ia um sobrinho do mesmo servo de Deus, filho de um irmão.

Engolfados no mar, levantou-se uma tempestade tão severa que deu com a embarcação à costa, e a fez em pedaços, com a morte de todos os que nela iam, tirando dois que puderam lançar mão, ambos, de uma tábua. Mas, como o ímpeto das ondas os levasse, muitas vezes, aos penedos da praia, lastimavam-se gravissimamente. Pelo que, vindo a faltar as forças a um deles, lhe fugiu a tábua e se afogou.

Ficou o outro a quem também as forças iam falecendo. E este era o sobrinho do Santo; e, vendo-se ir pelo caminho dos seus companheiros, posto em tamanha angústia, começou a chamar por Deus e por São Gonçalo, dizendo: Tio Santo, Tio Santo, salvai-me!

Eis que neste ponto viu na praia um frade agostinho que o animava e lhe dizia que não temesse. Entrou então o frade pelo mar sobre as ondas e tomando-o pela mão, o tirou à praia, e Lhe disse: Eu sou o tio por quem chamaste. Ide-vos curar até que cobreis forças para poder caminhar. E já que em vida me não visitastes, fazei-o agora. Ide ao Mosteiro de Santo Agostinho, de Torres Vedras, onde o meu corpo está sepultado, e fazei aí oração e recebereis aí saúde perfeita das chagas e feridas que neste naufrágio recebestes.

Fê-lo assim o mancebo e dormindo aquela primeira noite ao pé da sepultura, acordou, pela manhã, de todo tão sem dor, ou sinal algum das feridas que recebera.

Do que e da repentina cura das feridas se fez um público instrumento autêntico em dois originais, um dos quais se lançou no arquivo daquele convento, e o outro que se levou ao Algarve para glória de Deus e maior veneração do seu servo».

Por essa razão, muitas imagens do Beato Gonçalo de Lagos o retratam com uma caravela na mão e os pescadores da cidade o tomaram como Padroeiro e Patrono da sua Corporação (a Confraria do Corpo Santo), entretanto extinta (ver Ponto 2 do Passeio).

Gonçalo de Lagos é “Defensor e Padroeiro da Vila de Torres Vedras e seu Termo”, por indicação do Rei D. João II, que igualmente sugeriu que Lagos pudesse venerar de forma especial este Santo. A cidade terá acolhido uma relíquia do Beato Gonçalo, com grande festa encabeçada pelo Bispo do Algarve, D. Fernando Coutinho, tendo sido o Beato declarado Padroeiro e Protetor de Lagos. A referida relíquia estará à guarda da Paróquia de Santa Maria de Lagos.

A 27 de outubro celebra-se a Memória facultativa do Beato Gonçalo de Lagos, obrigatória na Diocese do Algarve e no Patriarcado de Lisboa e este é, também, o Dia do Município de Lagos e seu feriado municipal.

Para melhor se conhecer este Santo, recorreu-se a um texto que o evoca, disponibilizado no portal da Pastoral Nacional da Cultura, em: P. Hipólito Martínez, OSA, in São Gonçalo de Lagos, Editorial A.O., 27.10.2008, Secretariado Nancional da Pastoral da Cultura

 

Passeio São Gonçalo de Lagos

Tempo previsto de duração: 5 horas;
Modo de deslocação: a pé (sugere-se deixar viatura no parque de estacionamento da Av. dos Descobrimentos – Parque Ribeirinho);

Ver os passeios

Outras publicações sobre o Beato Gonçalo de Lagos:

  • Martínez, P. Hipólito, OSA (1992). São Gonçalo de Lagos. Col. Vidas de Santos. Braga: Editorial Apostolado de Oração.
  • Guimarães, Jorge Gonçalves (2004). São Gonçalo de Lagos: hagiografia, culto e Memória séc. XVI-XVIII. Torres Vedras: Câmara Municipal. 
  • Câmara Municipal de Torres Vedras e Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo - Biblioteca Escolar (2010). S. Gonçalo de Lagos: Patrono da Escola de S. Gonçalo: Torres Vedras. Torres Vedras: Município e Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo, C.M. Torres Verdas - Publicações (consultado a 05/02/2015).
  • Arquivo de Torres Vedras (s.d.). A “legitimação” do Padroeiro. (consultado a 05/02/2015).
     

Outros motivos de interesse em Lagos:

Feira Arte Doce

A Feira Concurso “Arte Doce” realiza-se em Lagos, com organização da Câmara Municipal, no último fim-de-semana de julho, tendo sido promovida a primeira edição deste evento em 1986.
Revitalizar e dar a conhecer este património da cidade, com uma ligação muito forte à vida conventual que outrora existiu em Lagos, é o objetivo desta atividade, que para além da doçaria, dá a conhecer o artesanato local e os produtos regionais.
A tradição da doçaria está, em Lagos, muito ligada às freiras Carmelitas, que se instalaram ali no séc. XVI, fundando o segundo convento feminino desta ordem em Portugal. A elas se atribui a criação do famoso doce Dom Rodrigo, crendo-se que o surgimento do mesmo remontará a 1755, ano em que o terramoto destruiu a zona baixa da cidade. O Governador da cidade seria, nessa altura, um fidalgo, de nome Rodrigo, que prestou auxílio aos sinistrados, em particular às freiras Carmelitas do Convento de Nossa Senhora do Carmo. Agradecidas pela ajuda, as freiras ter-lhe-iam dedicado estes doces, chamando-lhes D. Rodrigo.

+ info

Academia de Música de Lagos

S. Gonçalo de Lagos teve uma forte ligação à música, sendo os seus biógrafos mais antigos «unânimes em afirmar que a cultivara com esmero e capacidade, tendo composto “livros de cantochão para serviço do Coro, com inteira aprovação do seu Prelado” (Frei António da Purifica çáo, Op. cit.).»
Em Lagos há, ainda hoje, forte tradição musical, tendo a cidade uma Academia de Música, fundada em 27 de maio de 1986 por D. Maria Boulain Fogaça e tendo iniciado a sua atividade a 17 de dezembro de 1988, com um concerto na Igreja de Santa Maria.
Esta instituição é atualmente responsável pelo ensino da música em Lagos, Portimão (Conservatório de Portimão - Joly Braga Santos) e Lagoa, onde possui delegações. A sua atividade inclui a realização de inúmeros espetáculos, para além do ensino da música.

+ info

Informações úteis sobre euracistias em Lagos:

Links para as Paróquias: